Saída dos EUA da OMS afeta os recursos, mas também capacidade técnico-científica. Essa é a avaliação de Mariângela Simão, ex-diretora-geral adjunta da Organização Mundial de Saúde, e atual diretora-presidente do Instituto Todos pela Saúde. “É desastroso você pensar que um país hoje entenda que ele sozinho dá conta de tudo, mas não dá. O mundo está globalizado. As redes de logística, de produção de medicamentos e vacinas são globalizadas”, diz.
“Você compra aquela tampa de borracha que vai no frasco da vacina em um país, o frasco da vacina em outro, a matéria-prima em outro. É mal funciona o mundo hoje. E os Estados Unidos acham que podem resolver todos os problemas sozinhos? Ou que vão gerar uma organização global de saúde, outra que não seja no sistema multilateral”, questiona Mariângela Simão.
Ela relembra a que a pandemia da covid-19 precisou de um esforço internacional, coordenado pela OMS. “Nesses casos, todo mundo tem que estar envolvido, porque é uma doença de transmissão respiratória, que daí não tem fronteira. Sim, a OMS tem problemas, ninguém nega isso, mas isso se resolve na conversa com os países, na negociação. O mundo tem problema, a saúde mundial tem problema. Mas os EUA ditarem as regras sozinhos em relação à saúde global é inconcebível”.
A médica sanitarista alerta que a retirada dos EUA pode prejudicar a vigilância global de doenças. Mas não acredita que decisão dos EUA possa desencadear um efeito manada. “Acho que não, tem governos de esquerda e de direita em vários lugares do mundo. Por exemplo, a Itália, que é governada pela direita, não tem esse movimento de retirada da OMS, porque entende o valor da instituição”, disse Simão.
Trump barganha com a vida das pessoas ao anunciar a saída dos EUA da OMS. A enunciação é da médica infectologista Luana Araújo no UOL News, do Canal UOL, nesta terça-feira (21).
A pandemia, de novo, mostrou isso e leste sujeito [Donald Trump] estava lá no início da pandemia da covid-19. Logo, para mim, é sempre muito impactante, muito frustrante que pessoas que sejam capazes de ocupar esses lugares de poder, tem uma capacidade cognitiva limitada quando se trata dessa questão da saúde pública e, mais do isso, tenham uma noção tão inflexível de moral que permitam jogar com a vida dessas pessoas em troca de numerário ou posição de posição política.
Luana Araújo, médica e infectologista






